LinuxBIOS rodando em modo gráfico

Esta é uma notícia interessante e que vale à pena divulgar, pois o projeto é de uma equipe brasileira. Eles conseguiram rodar o Linux, com modo gráfico, em substituição à BIOS do computador. Vamos por partes, já que nem todos conhecem o conjunto de software e as idéias por trás de tudo isso.

Atualmente, os computadores possuem um firmware proprietário gravado em uma memória flash, normalmente, que é executado sempre que o computador é ligado, para realizar testes e detecções iniciais do hardware da máquina e contém funções de diversos tipos que servem de apoio aos sistemas operacionais que desejem utilizá-las. A tela de Setup, onde é possível fazer diversas configurações no hardware do computador, também pertence à BIOS.

Como dito acima, este código é proprietário, fechado. Não há espaço para melhorias nem inspeções, fora que as empresas que produzem estas BIOS, juntamente aos fabricantes de microprocessadores, mantém uma convenção de compatibilidade com sistemas legados.

Isso quer dizer que quando seu computador dá boot, ele está rodando um sistema semelhante ao processador 8086 (16 bits a 5 MHz) em modo real, que é um processador realmente antigo, o que responde a um questionamento que nem todos se fazem: por que sempre atualizo meu computador com processadores novos e mais memória e o tempo de boot inicial nunca diminui? Provavelmente por que, independente do processador, você sempre está rodando um 8086 a 5 ou 8 Mhz com capacidade de endereçar pouco megabytes de RAM.

É possível substituir a BIOS por outra coisa para acabar com esses problemas e dependências? Sim. O projeto LinuxBIOS pretende substituí-la por uma distribuição baseada no kernel GNU/Linux. No fim deste artigo há um vídeo onde é possível ver um computador com LinuxBIOS rodando.

As vantagens do LinuxBIOS não param nas citadas acima:

  • Como é Linux, trata-se de um sistema open source e gratuito, não é necessário mais pagar licenças para fabricantes de BIOS proprietárias para cada computador;
  • O tempo de boot é enormemente acelerado, já que ele roda usando muitas capacidades suportadas no seu processador, em 32 bits e em modo protegido;
  • Integração com o possivelmente sistema operacional Linux instalado no HD do computador, propiciando uma diminuição drástica no tempo de boot completo, ao carregar um kernel que está armazenado no disco rígido e ele, por sua vez, irá carregar o sistema operacional.

A experiência que serviu de inspiração para este artigo foi que uma equipe brasileira gravou numa flash não apenas o LinuxBIOS, mas também um conjunto de aplicativos comuns à sistemas embarcados e distribuições mínimas (Busybox), um pequeno servidor gráfico baseado no X (Kdrive) e um gerenciador de janelas focado em handhelds, set-top boxes e embarcardos em geral (Matchbox), e uma aplicação: o terminal gráfico xvrt. Tudo isso em apenas 2 MB, memória disponível na maioria das flashes utilizadas em BIOS.

Neste caso, não foi necessário HD nem qualquer outro dispositivo de armazenamento para rodar este sistema, já que tudo está na BIOS! Assista ao vídeo:
[youtube nuzRsXKm_NQ]

O projeto LinuxBIOS é bastante promissor, pois suas áreas de atuação são bastante abrangentes. É possível explorar os recursos não apenas em computadores de mesa, mas em dispositivos móveis, sistemas distribuídos e clusters.

Grandes nomes estão apoiando o projeto, como o Google (que agora compra tudo o que acha interessante… Como não pode comprar o Linux, apenas patrocina) e a Gigabyte, que já tem uma placa-mãe, a M57SLI-S4, que vem com LinuxBIOS.

Continuarei acompanhando de perto este interessante projeto e trarei as notícias aqui para o Hypercast tanto quanto possível. Até os próximos artigos sobre LinuxBIOS!

Artigos Relacionados:


Sobre este artigo