Esclarecendo DRM, Trusted Computing e Windows Vista

Motivado pelo recente lançamento do Windows Vista, resolvi escrever este artigo elucidando alguns termos que ganharam o mundo e como eles funcionam no novo sistema operacional da Microsoft, para que usuários desavisados não cometam erros e depois se sintam enganados. Recentemente na Internet, o termo DRM foi mencionado em muitos lugares, mas agora com o lançamento do Vista, ele ficou muito mais presente. Infelizmente, em sua maioria, às pessoas ligadas à Tecnologia da Informação. No entanto, assuntos relacionados à licenças são sempre chatos e complicados, mas não se deve desconsiderar aquela caixa de texto que normalmente nem se lê e com um clique em “Eu aceito os Termos de Compromisso”, o problema chato está resolvido. Este artigo fala justamente desse assunto, mas com uma abordagem mais direta.

DRM is Killing Music

DRM significa Digital Rights Management, ou Gerência de Direitos Digitais. Esse termo se aplica à qualquer tentativa de restringir a difusão de algo com direito autoral por vias digitais. Por isso, pejorativamente (e merecidamente) vem sendo chamado de Digital Restriction Management. O DRM nasceu por causa da popularização das mídias e sistemas digitais. Com eles, é possível digitalizar e copiar infinitamente um certo conteúdo, com um gasto mínimo. Com a chegada da Internet, as proporções da difusão de material sob direito autoral chega a atingir escalas muito mais elevadas. A cada dia as possibilidades de compartilhamento de conteúdo na Internet aumentam e se tornam mais eficientes, ainda mais por que a velocidade do acesso à própria Internet também aumenta, propiciando um ambiente ideal para a prática da difusão de informação.

Nos anos 80, teve início um movimento chamado “Home Taping is Killing Music”, que é autoexplicativo. Obviamente, a lucro das empresas ligadas à música era diminuído, mas não ao ponto de fazer uma afirmação, permita-me, ridícula como essa. A música passou longe de morrer. Um dos efeitos mais fortes gerados pela fitas foi a divulgação. A Internet sim, deu um real motivo para dor de cabeça. O problema é que essas mesmas empresas sempre viram a rede como uma fonte de pirataria que diminuiria drasticamente seu lucro. Parece que ainda hoje pensam assim. Mal sabem elas que a Internet veio para mudar muitas concepções de mundo que temos hoje. Uma delas é o modelo de negócio que atinge essas empresas. Se elas não se adequarem à forma como o mundo, agora, utiliza seu produto, terão um grande problema. A grande rede veio para compartilhar tudo o que for possível através de bits. E muita coisa pode ser colocada na forma de bits.

Home Taping is Killing Music

A posição tomada pelos grupos que se sentiram lesados pelo novo ambiente foi, não de se adaptar e mudar seu modelo de negócio, mas de fechar acordos com empresas do mundo digital, como fabricantes de dispositivos móveis/portáteis dos mais variados e sistemas operacionais, para conseguir obter controle da mídia de alguma forma. Controle de ir e vir da informação, com possibilidade inclusive de restringir a execução de uma música por exemplo, ou de ser reproduzida por uma determinada quantidade de vezes e depois forçar os usuários a ter que comprá-la novamente.

Alguns desses acordos, no pior dos casos, prevê controle via hardware do conteúdo digital, como ocorre no iPod, Zune, PlayStation 2, Xbox, etc. Controlar conteúdo via hardware é uma medida mais drástica. O DRM mais específico para sistemas de computador é tratado como Trusted Computing, ou Computação Confiável. A idéia que ganha mais foco nessa abordagem é a que o usuário, dono do hardware que possui, deveria ter controle sobre o computador que está usando, e não deixar que software de terceiros decida, proíba ou, pior ainda, espione. Se o quadro continuar deste forma, em pouco tempo determinados grupos irão deter o controle sobre os computadores das pessoas, o que pode ser crítico até politicamente. Já existem até processadores, da Intel por exemplo, com instruções DRM embutidas, o que acaba diminuindo a performance de um sistema embarcado, como um media player, mas se tem total controle sobre restrições de execução instrínsecas ao arquivo de música/vídeo.

O truque é vender o produto para o usuário, fazendo que ele tenha certeza de que o Trusted Computing é um bom negócio, mas mal sabe ele que, mesmo como dono, pode ser considerado “não confiável” pelo próprio sistema. O Windows Vista é um exemplo de software que está de acordo com o conceito de Trusted Computing (eles mesmos divulgam como algo positivo) e, consequentemente, DRM. Para entender melhor este conceito, sugiro que assita o vídeo abaixo:

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Não satisfeita, a Microsoft ainda impõe condições de uso que são por si só um absurdo, como ao realizar o upgrade do XP para o Vista, o usuário consequentemente terá seu serial do XP invalidado. Não será possível instalar o XP antigo em outro computador. Ou ainda sobre as restrições sobre o número de reinstalações que o Vista permite. Tudo isso é DRM.

Alguns mecanismos do Vista já foram quebrados, mas usar este sistema para ter que quebrar estas travas, pode parecer algo um pouco divergente. Nem falamos neste artigo dos aspectos técnicos do Vista, apenas da questão da liberdade que o usuário tem ao utilizar seu próprio hardware para fazer algo que ele não quer ou não tem conhecimento.

Mas para complementar, considere um sistema que foi recém lançado e que já possui um Service Pack agendado… Ou um sistema que foi divulgado que não precisa de nenhuma espécia de anti-vírus, anti-malware em geral, firewall, etc e, menos de um mês depois, o próprio fabricante lança uma suíte de segurança e promete que ela é a última palavra em combate à software malicioso na Internet e que será sua última aquisição em termos de software de prevenção.

Há ainda a inovação da interface gráfica, que de novo não tem nada. Desde o tema principal, baseado nos padrões Web 2.0 e aspecto de ícones já conhecidos na internet até os efeitos visuais, que são similares aos do Linux e Mac OS X, porém muito inferiores.

Agora, com mais informação, é possível pensar melhor sobre a aquisição deste sistema operacional, que segunda a Microsoft, irá revolucionar sua vida.

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